sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Do Alentejo às américas.

Do Alentejo às américas – Uma família de bicicleta.
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Uma viagem em família.São quatro, os pais e dois filhos, e por esta altura deverão pedalar já pela Argentina. Partiram em setembro de Estremoz, no Alentejo, onde contam voltar daqui por uns 14 meses, depois de terem percorrido à volta de 10 mil quilómetros pelas américas. A 07 de Novembro cumpriram os primeiros mil quilómetros.
Filho de peixe sabe nadar. Podia ser este o mote da suiça Valérie Colette Rochat Fonseca e do português João Gonçalo Fonseca, uns viajantes incorrigíveis que desta vez decidiram levar consigo os filhos: Yacha, 10 anos, e Sinai, 8.


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Economizaram durante os últimos anos, vivendo com o mínimo possível na Suiça, onde a sorte lhes deu uma boa ajuda, ao ganharem um concurso que lhes pagou a renda de casa durante 12 meses. Quando regressarem da viagem, vão trocar as terras helvéticas, fixando-se em Estremoz, terra dos pais de João Fonseca.
Nos alforges a família Fonseca leva o essencial, que inclui  duas tendas para os quatro e um fogão, já que vão cozinhar sempre que puderem, após os 50 quilómetros que contam percorrer, em média, diariamente, admitindo que poderão chegar aos 60 a 80 quilómetros/dia, contou João Fonseca numa entrevista por escrito ao Pedais.pt já em plena viagem.
Pelo Brasil, não passaram despercebidos e a família de viajantes foi notícia quando passou por Curitiba, a 25 de outubro.
Apesar dos filhos estarem idade escolar (e matriculados na cidade alentejana), a questão do ensino vai ser ultrapassada sem dificuldades aparentes: “Tivemos um apoio fabuloso de toda a Escola de Estremoz, à qual só temos que agradecer. Também devemos agradecer à Porto Editora, porque nos facultou a inscrição gratuita para o ensino através da escola virtual que a editora fornece. O programa é fantástico”, explicou o cicloturista, matemático de formação.
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A arte de bem viajar é uma prática que o casal iniciou um dia depois de se conhecerem, em Istambul, na Turquia, em 1988. Na altura sem bicicletas, partiram para o sul daqueles país à boleia. Seguiram para Israel e só pararam na República do Congo (na altura Zaire), depois de atravessarem o Egito, o Quénia, a Tanzânia e a Zâmbia. Ficaram seis meses no Congo e contabilizaram um total de dois anos fora de casa, com a mochila às costas.
Já nessa altura não eram estreantes nesse quase vício de correr mundo. João Fonseca já contava com 12 mil quilómetros à boleia e Valérie tinha apenas 15 anos quando se fez à estrada de dedo estendido com uma amiga, viajando assim da Suíca até Portugal. Desconhecia então que, quase ao mesmo tempo,  João Fonseca, também com um amigo, viajava de bicicleta de Estremoz até ao Algarve.
Já juntos, cumpriram muitas outras viagens pela Europa, à boleia, até que se propuseram a um desafio maior do que os anteriores e partiram da Suiça com destino à China, em 2004. Regressaram a casa apenas quatro anos depois e fizeram o relato da aventura num livro intitulado “Pedalar Devagar”, onde contam como foi atravessar parte da Rússia, o Cazaquistão, o Tibete, mas também o Sri Lanka e o Laos, para referir alguns dos 24 países que incluíram no roteiro, que totalizou 38 mil quilómetros.
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Desta vez, foram para o outro lado do mundo, partindo de Estremoz a 15 de setembro, já a pedalar até Lisboa, onde apanharam o avião para o Rio de Janeiro. Segue-se depois a Argentina e a subida para norte até aos estados Unidos, depois de atravessar a Bolivia, o Chile, o Peru, o Equador, a Colômbia, o Panamá, a Costa Rica, a Nicarágua, as Honduras, a Guatemala e o México. Regresso previsto a Portugal: janeiro de 2016.
MM

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