terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A Venda de bicicletas supera a venda de carros em Itália.

Todos sabemos que os maiores bólides do automobilismo desportivos, os carros conhecidos pelo seu "sangue quente", são italianos. Assim como algumas das mais famosas fabricantes de carros do mundo. Mas "o que temos a ver com isso?", você, nosso leitor, deve estar a perguntar-se neste momento.
  Esta seria uma chamada perfeita para uma matéria automobilística, se não fosse este um blog voltado para o ciclismo. Na verdade, não somos contra carros, mas sim, apoiamos o seu uso consciente e defendemos o uso da bicicleta como uma forma de racionalizar o transporte e agregar mais qualidade de vida ao dia a dia de cada pessoa. 
 
Já pensou quanto tempo (e dinheiro) se perde diariamente quando se fica preso num congestionamento, fora o stress a poluição, a violência e outros fatores que podem ser interpretados como negativos com relação ao uso do carro? Os maiores benefícios que seriam praticidade, agilidade no transporte e conforto estão a perder o seu sentido. Em quanto de um lado uma corrente trabalha em prol de incentivar fábricas e colocar mais carros na rua, outra coloca-se a refletir sobre o verdadeiro sentido desta cultura, pois até sob aspetos econômicos, cada vez é mais complicado para a sociedade lidar com a questão do uso do carro. 
 
Dentro deste cenário, usamos uma notícia que foi veiculada recentemente como inspiração para esta matéria. Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a venda de bicicletas na Itália superou a venda de carros. Na verdade, este comportamento é um reflexo de uma tendência que está atingindo cada vez mais o Velho Continente, especialmente a Itália, onde 6 a cada 10 pessoas possuem carro, que a partir dos anos 60, tornou-se símbolo de status e prestígio pessoal. 
 Hoje o país enfrenta uma forte crise na sua indústria automobilística, devido à queda nas vendas, o que tem gerado alto desemprego no ramo. Uma das causas é o elevado custo anual de um carro na Itália, hoje estimado em cerca de  7 mil Euros ano, com a Gasolina a custar 2 Euros o litro. Isso tem levado cada vez mais pessoas a deixar o carro em casa e investir na aquisição de uma bicicleta. Em 2012, foram vendidas cerca de 1,7 milhão de bicicletas contra 1,4 milhão de carros. O uso de bicicletas no país triplicou desde 2001. Hoje são cerca de 5 milhões de usuários fazendo uso da bike como meio de transporte quase que diário. 
 
Essa tendência também é reflexo noutros países europeus, onde o uso do carro vem a ser abolido em contrapartida ao incentivo do uso da bicicleta. Fora isso, noutros lugares do mundo, a utilização da bicicleta vem crescendo cada vez mais, como uma alternativa que agrega economia, menos poluição e maior qualidade de vida ao seu usuário, sem contar que em muitas cidades, devido aos congestionamentos, a bicicleta, em  pequenos e médios trajetos, é mais ágil de um veículo motorizado.
Ciclistas em uma das ruas de Bogotá.
 Na América do Sul, a Colômbia é um exemplo da mobilidade urbana tendo como base a bicicleta. O forte incentivo do governo leva cerca de 190 mil pessoas diariamente às ruas usando sua bike como meio de transporte. São aproximadamente 344 km de ciclo vias. Além disso, várias ruas em finais de semana, feriados e durante à noite são fechadas para serem usadas pela população para lazer e prática desportiva, grande parte de bicicleta. Tais medidas já têm seus números. Estima-se uma emissão redução de 13% em CO2 que em dias normais. Essas medidas também têm outra finalidade: diminuir o número de sedentários em 1% ao ano. A médio e longo prazo, a cidade deve economizar com os gastos com a saúde e a população ganha qualidade de vida.
 Já na Califórnia, estudos mostram que é grande o número de profissionais que usa a bicicleta como meio de transporte, de fato e gravata mesmo! A indústria automobilística americana também tem enfrentado forte crise nos últimos anos.
Pequim é outra cidade que vem a sofrer com o crescimento dos congestionamentos e o governo já se manifestou, avisando que limitará o licenciamento de novos veículos, limitando assim a frota de veículos nas ruas. Com o aumento do poder aquisitivo da população, o número de carros nas ruas passou de 2,6 milhões em 2005 para mais de cinco milhões. A China, que tinha no uso da bicicleta seu referencial, ultrapassou os Estados Unidos em 2009 como maior mercado consumidor de automóveis do mundo. 
 
 As vendas também são incentivadas, através de financiamentos cada vez mais acessíveis e também com maior número de prestações. No entanto, o nível de endividamento de muitas famílias em função desse tipo de financiamento é cada vez maior, perdendo apenas para o cartão de crédito. Numa primeira instância, é fácil meter carros nas ruas. A nossa economia e as nossas cidades estão preparadas para atender essa demanda? 
Existem muitas opiniões divergentes num assunto tão comum. Mas exemplos como a Itália, deveria ser motivo de reflexão. A própria população de lá está a mudar o seu comportamento e a mostrar as suas tendências. Se bem que o sangue quente italiano também corre nas veias do ciclismo do país, palco de grandes provas, sede das fábricas mais tradicionais, de onde saem as máquinas de pedalar mais "nervosas" e cujo desporto já rendeu ao mundo grandes ídolos e campeões. Afinal, nada mais ecológico e moderno que reciclar antigos comportamentos e culturas e abrir a mente para uma nova consciência. Não importa como, vá de bicicleta!
MM

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