sexta-feira, 8 de agosto de 2014


O ciclista português que foi recebido por dois Papas.


Carlos Vieira esteve presente na canonização de João Paulo II, o mesmo Papa que o recebeu há 28 anos. E tal como outrora, o ciclista, agora com 62 anos, pedalou o seu caminho de volta até Fátima.
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Carlos Vieira, ciclista e bombeiro reformado, decidiu atender o telemóvel em cima da sua bicicleta, algures para os lados de Proença-a-Nova. Eram nove da manhã e, interrompido pelos transeuntes que o saudavam, a fraca rede no telemóvel e o som do seu próprio fôlego, confessou ao Expresso Diário: "Estou sem palavras!"


 O ciclista de Leiria, conhecido por ter batido o recorde do mundo de bicicleta de resistência, vinha do Vaticano, saudado pelo Papa Francisco, no dia 23 de abril, poucos dias antes da canonização dos Papas João Paulo II e João XXIII. Foi de carro até ao Vaticano mas no regresso fez a sua peregrinação rumo a Fátima inteiramente de bicicleta, um percurso de 2470 quilómetros. "Parava só para almoçar e eventualmente à noite para comer e descansar", conta.

A canonização do Papa João Paulo II era um evento de grande importância para Carlos, porque tinha sido o mesmo que, há 28 anos, recebeu o leiriense no Vaticano. "Estava à espera da sua canonização, porque queria estar lá [no Vaticano] de corpo e alma", relata ao Expresso.

Para que assim se sucedesse, contactou António Augusto de Santos Marto, atual bispo de Leiria-Fátima, com quem já se tinha cruzado antes, para o ajudar com esta tarefa. "Disse-me que teria de escrever uma carta e até me ajudou a fazê-lo." Pouco tempo depois, o bispo felicitou Carlos com um abraço ao anunciar-lhe que o Francisco tinha lido a carta e teria gosto em recebê-lo.

"Eu comparo muito João Paulo II ao Papa Francisco", diz-nos Carlos enquanto pedala. "São os dois muito humildes e, para mim, são dois Papas que mudaram imenso a história papal e a imagem da Igreja."
O encontro entre os dois foi despachado mas o ciclista garante que conseguiu dizer ao atual líder da Igreja Católica tudo o que queria. "Falei-lhe da minha peregrinação, mas acima de tudo pedi a bênção a todos os portugueses."

Depois do desejado encontro, já só faltava o caminho de volta. O carro que conduziu até Roma cedeu-o a Francisco Palma, seu habitual companheiro das lides com duas rodas e, de bicicleta montado, calculou que teria de percorrer 250 quilómetros diários. Errou por pouco: "Demorei um dia a mais do que tinha demorado em 1986".

Com chegada a Fátima prevista para esta quinta-feira, fez ainda uma paragem importante, em Leiria, na noite de quarta-feira. "Tinha milhares de amigos, família e companheiros dos bombeiros à minha espera, de braços abertos."

Repetir a proeza é incerto. Diz-se satisfeito pelo que conseguiu até agora. "É preciso muita fé!", disse entre gargalhadas enquanto continuava a pedalar.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/o-ciclista-portugues-que-foi-recebido-por-dois-papas=f869100#ixzz39RyYDfmo



MM

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